Falando De dor

Dor aguda, dor crônica e a importância da analgesia durante a cirurgia

A dor é uma reação natural do nosso corpo após uma cirurgia. Ao cortar ou suturar tecidos, inserir ou retirar algo no nosso organismo, ele vai reagir com dor. Afinal, lembremos, a função primeira da dor é servir como sinal de alerta de que algo estranho está acontecendo e, certamente, o processo cirúrgico oferece um rol de “eventos estranhos” para disparar esse mecanismo. Por isso, o surgimento de dor aguda após uma intervenção cirúrgica pode ser considerado natural, o que não significa que ele possa ser subtratado ou mesmo ignorado pela equipe médica.


Para entender melhor, vamos relembrar aqui as diferenças entre a dor aguda e a dor crônica. A primeira (dor aguda) é aquela associada a lesões, inflamação, infecções ou machucados. Tem como característica principal ser breve: ela dura de minutos a alguns dias ou no máximo semanas, é uma forma do corpo dizer “ei, tem algo errado aqui!”. Quando o estímulo de dor prolonga-se no tempo, deixando de ser um sintoma de que algo vai mal para ser ele mesmo o problema (a doença) e afetando não apenas a parte física, mas também a emocional, ele torna-se dor crônica.


Entre um extremo e outro há aquelas situações em que uma dor, inicialmente aguda, não recebe o tratamento devido e prolonga-se no tempo, virando dor crônica. E é exatamente esse o risco que há nos procedimentos cirúrgicos, especialmente nas cirurgias abertas, mais invasivas, longas (duração acima de três horas), seguidas por outras operações ou realizadas em partes do corpo onde há muitos feixes de nervos. Hoje em dia calcula-se que cirurgias e traumas sejam responsáveis pela dor crônica de uma a cada cinco pessoas atendidas nas clínicas de dor.


Mas é possível melhorar essa estatística, mesmo sendo a dor algo intrínseco à cirurgia? Certamente! Evitar complicações posteriores é algo completamente possível por meio de uma série de ações de prevenção. Você conhece aquele ditado popular que diz “prevenir é melhor do que remediar”? Apesar de antigo, ele é completamente válido na medicina da dor. Se você sabe que existirá um trauma cirúrgico, pode e deve atuar preventivamente com varias técnicas para evitar a memorização da dor.


Nos últimos anos tem-se falado muito da analgesia preventiva, uma maneira de prevenir a sensibilização do sistema nervoso (também conhecida como memorização da dor) e, por consequência, o surgimento de dor crônica após a cirurgia.


Outro recurso que existe para diminuir o sofrimento do paciente é a chamada anestesia ou analgesia multimodal, que consiste na aplicação de diferentes remédios em lugares diferentes do corpo, antes, durante e logo após o fim da cirurgia. A combinação entre diferentes remédios permite reduzir as doses de cada fármaco, diminuindo os efeitos colaterais.


Outro ponto importante para se ter em mente depois da operação é não deixar o paciente sentindo dor. Se mesmo com a medicação receitada ele segue com incômodo, é sinal de que é preciso mais. O que não pode e não deve ser feito é deixar o paciente sofrendo durante a fase pós-operatória.


* Fabíola Peixoto Minson é médica anestesiologista e referência em tratamento da dor. É fundadora e coordenadora do Centro Integrado de Tratamento da Dor, em São Paulo, autora do livro Ufa! Chega de Dor e uma das idealizadoras deste site.


Este conteúdo foi produzido em parceria com o portal Ufa! Chega de Dor. Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.

gabriela em 14/03/2017
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teste

XaRoeptcESJ em 27/06/2017
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*lol*You had me cracking up with the three types of bloggers, especially since I know at least one from each category. To be honest, I prefer to hang out with the mixture of 1) and 2) expats, but ye8#e#8230;ther&&ha217;s much less drama there.

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